Nem todas são Betty ou Anna

o lugar das arqueólogas no discurso da Arqueologia Amazônica

  • Caroline Fernandes Caromano Universidade de São Paulo
  • Meliam Vigano Gaspar Universidade de São Paulo
  • Ester Ribeiro Pereira
  • Marjorie do Nascimento Lima Universidade de São Paulo
  • Jaqueline Carou Felix de Lima Universidade de São Paulo

Resumo

A produção científica sobre a Arqueologia Amazônica é marcada por duas mulheres, Betty Meggers e Anna Roosevelt. Apesar da inegável contribuição destas arqueólogas para as pesquisas posteriores, podemos afirmar que há equidade entre mulheres e homens na arqueologia dessa região? Realizamos um levantamento da bibliografia de artigos publicados nos últimos quinze anos, por autoras e autores brasileiros e estrangeiros, em treze periódicos nacionais e internacionais. Verificamos que, apesar da alta produtividade das mulheres na Arqueologia Amazônica, elas não são citadas de maneira proporcional, privilegiando-se os trabalhos de homens. Por fim, questionamos se as bibliografias selecionadas representam, de fato, o percentual de arqueólogas e arqueólogos em atividade ou se não são reflexo da iniquidade de gênero na ciência arqueológica.

##submission.authorBiography##

##submission.authorWithAffiliation##

Universidade de São Paulo, Museu de Arqueologia e Etnologia, Laboratório de Estudos Evolutivos e Ecológicos Humanos e Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Tecnologia e Território

Referências

BARDOLPH, Dana N. 2014. A Critical Evaluation of Recent Gendered Publishing Trends in American Archaeology. American Antiquity, 79(3): 522-540.
BARRETO, Cristiana N. G. B. 2005. Simbolismo sexual na antiga Amazônia. Revisitando urnas, estatuetas e tangas marajoara. In: DANTAS, M. et al. Antes: histórias da pré-história. Catálogo de exposição. Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, pp. 84-129.
BARSTOW, Anne. 1978. The Uses of Archeology for Women's History: James Mellaart's Work on the Neolithic Goddess at ÇatalHüyük. Feminist Studies, College Park, 4(3): 7-18.
BATTLE-BAPTISTE, Whitney. 2011. Black Feminist Archaeology. Walnut Creek, CA, Left Cost Press.
BRADLEY, Candice & DAHL, Ulrika. 1994. Productivity and Advancement of Women Archeologists. Archeological Papers of the American Anthropological Association, 5: 189-194.
CAMERON, Elissa Z.; GRAY, Meeghan E. & WHITE, Angela M. 2013. Is publication rate an equal opportunity metric? Trends in Ecology & Evolution January, 28(1): 7-8.
COBB, Hannah & CROUCHER, Karina. 2016. Personal, Political, Pedagogic: Challenging the Binary Bind in Archaeological Teaching, Learning and Fieldwork. Journal of Archaeological Method and Theory, 23(3): 949-969.
COLETIVO ESTRATIGRAFIA FEMINISTA. 2015. Zine Machismo e Arqueologia. São Paulo. Disponível em: https://arqueologiaeprehistoria.files.wordpress.com/2015/10/souza-et-al-2015-zine-sobre-o-machismo-e-a-arqueologia.pdf. Acesso em: 28 jun. 2017.
COLWELL-CHANTHAPHONH, Chip. 2004. Publishing the past Gender and patterns of authorship in academic and public archaeology journals. Graduate Journal of Social Science, 1(1): 117-143.
CONKEY, Margaret W. 2003. Has Feminism Changed Archaeology? Signs, 28(3): 867-880.
CONKEY, Margareth W. & SPECTOR, Janet D. 1984. Archaeology and the Study of Gender. Advances in Archaeological Method and Theory, Cambridge, 7: 1-38.
GERO, Joan M. 1983. Gender bias in archaeology: a cross-cultural perspective. In: GERO, Joan M.; LACY, David M.; BLAKEY, Michael L. (Ed.). The socio-politics of archaeology. Amherst: Dept. of Anthropology, University of Massachusetts, pp. 51-57.
GERO, Joan M. 1985. Socio-politics and the woman-at-home ideology. American Antiquity, 50(2): 342-50.
GUAPINDAIA, Vera L. C. 2008. Prehistoric funeral practices in the Brazilian Amazon: the Maraca urns. In: SILVERMAN, Helaine& ISBELL, William. 2008. Handbook of South American Archaeology. New York: Springer, pp. 1005-26.
HUTSON, Scott R. 2002. Gendered Citation Practices in American Antiquity and Other Archaeology Journals.American Antiquity, 67(2): 331-342.
HUTSON, Scott R. 2006. Self-Citation in Archaeology: Age, Gender, Prestige, and the Self. Journal of Archaeological Method and Theory, 13(1): 1-18.
IBM SPSS Statistics, version 23: tratamento de dados. 2015. [S.l.]: IBM Corporation.
MACHADO, Juliana S. 2012. Lugares de Gente: mulheres, plantas e redes de troca no Delta Amazônico. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
MICROSOFT Excel for Windows 10: gráficos. 2016. [S.l.]: Microsoft Corporation.
MORAES, Irislane P. & BEZERRA, Marcia. 2012. Na Beira da Faixa: um estudo de caso sobre o patrimônio arqueológico, as mulheres e as paisagens na Transamazônica. In: SCHAAN, Denise P. (Org.). Arqueologia, Patrimônio e Multiculturalismo na Beira da Estrada. Belém, GK Noronha, pp. 109-134.
NELSON, Sarah M. 2006. Handbook of Gender in Archaeology. Lanham, MD: Altamira Press.
RIBEIRO, Loredana M. R. 2015. Teorias feministas e gênero na arqueologia brasileira - por que não? Simpósio Temático. In: XVIII Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira: Arqueologia para quem? Livro de Resumos. Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
RIBEIRO, Loredana M. R. 2017. Crítica feminista, arqueologia e descolonialidade: sobre resistir na ciência. Revista de Arqueologia, Rio de Janeiro, 30(1): 210-234.
RIBEIRO, Loredana M. R. et al. 2017. A Saia Justa da Arqueologia Brasileira: mulheres e feminismos em apuro bibliográfico. Estudos Feministas, Florianópolis, 25(3): 1093-1110.
SAB – Sociedade de Arqueologia Brasileira. 2015. Código de Ética. Disponível em:http://www.sabnet.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=623. Acesso em: 27 jul. 2017.
SCHAAN, Denise P. 2001. Estatuetas Marajoara: o Simbolismo de Identidades de Gênero em uma Sociedade Complexa Amazônica, Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Série Antropologia, 17(2): 23-63.
SCHAAN, Denise P. 2009. Reflexões de uma arqueóloga e mulher na Amazônia. In: DOMÍNGUEZ, Lourdes et al. (Org.). Desafios da Arqueologia. Depoimentos. Erechim: Habilis, v.1: 89-99.
STANISCUASKI, Fernanda. 2017. Precisamos falar sobre nossos filhos! Entendendo o impacto da maternidade na carreira científica das mulheres brasileiras. Palestra. Universidade de São Paulo, Instituto de Biociências. Disponível em: http://iptv.usp.br/portal/video.action?idItem=37193. Acesso em: 29 jun. 2017.
Publicado
2017-12-21
Como Citar
CAROMANO, Caroline Fernandes et al. Nem todas são Betty ou Anna. Revista de Arqueologia, [S.l.], v. 30, n. 2, p. 115-129, dez. 2017. ISSN 1982-1999. Disponível em: <http://revista.sabnet.com.br/revista/index.php/SAB/article/view/547>. Acesso em: 25 fev. 2018. doi: https://doi.org/10.24885/sab.v20i2.547.