O silêncio do corpo

intersexualidade invisibilizada no Cemitério do Bonfim

  • Luísa de Assis Roedel Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

O presente artigo baseia-se em uma pesquisa em andamento que, através de um olhar arqueológico apoiado em noções da Antropologia do Gênero, buscou abordar relações de gênero expressas no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Como estudo de caso será analisada a sepultura referente à Herculine Barbin, que estabelece um pano de fundo para iniciar, desde a cultura material, o entendimento da intersexualidade na capital mineira. A discussão perpassa a compreensão da categoria “intersex” por algumas instituições – principalmente no pensamento biomédico – em um contexto delimitado, em uma sociedade moderna e ocidental. Finalmente, podemos perceber como o túmulo em questão expressa uma série de relações de gênero (mas não somente) em vida que são perpetuadas para a cidade dos mortos.

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Mestranda do Programa de Pós Graduação em Antropologia (PPGAN). Membro do corpo editorial do periódico Vestígios: Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica.

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Publicado
2017-12-21
Como Citar
ROEDEL, Luísa de Assis. O silêncio do corpo. Revista de Arqueologia, [S.l.], v. 30, n. 2, p. 71-85, dez. 2017. ISSN 1982-1999. Disponível em: <http://revista.sabnet.com.br/revista/index.php/SAB/article/view/545>. Acesso em: 25 fev. 2018. doi: https://doi.org/10.24885/sab.v20i2.545.